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Ecos

Um projeto de Dança e(m) realidade virtual 

ECOS é o resultado de uma parceria entre a artista da dança Ivani Santana (Brasil) e o artista Daniel Argente (Uruguai). O projeto colocou em colaboração o Grupo de Pesquisa Poéticas Tecnológicas: corpoaudiovisual, da Universidade Federal da Bahia, coordenado por Ivani, e  grupo de pesquisa do CSIC - "Realidades Expandidas" - da Universidad de La República, coordenado por Daniel.

O ponto de partida do projeto foram as investigações sobre o processo de improvisação em dança à luz da Teoria Enativista (Varela, F., Thompson, E., Rosch, E., The Embodied Mind: Cognitive Science and Human Experience, The MIT Press, 1992) e dos Corpos Linguísticos (Di Paolo, E., De Jaegher, H.,  Cuffari, E.,  Linguistic Bodies. The Continuity between Life and Language, The MIT Press, 2018). Através dessa perspectiva, compreendemos que as ações de cada pessoa envolvida na improvisação é fruto de uma "criação de sentido participativa" (De Jaegher, H., & Di Paolo, E. (2007). Participatory sense-making: An enactive approach to social cognition. Phenomenology and the Cognitive Sciences, 6(4), 485–507), ou seja, não é uma decisão exclusiva da pessoa, pois as ações das outras e o próprio contexto estão implicados nessa relação e na tomada de decisão. Tais ações têm impacto no sistema, o qual, por sua vez, também repercute no processo e na corporeidade. Portanto, o projeto se inicia com esse interesse de investigar o relacionamento entre agentes de um sistema. Partimos então para a criação de uma ecologia virtual que está implicada com o relacionamento estabelecido entre o visitante e o avatar. Temos o interesse de propiciar ao visitante uma experiência que o sensibilize quanto aos aspectos da sua corporeidade de acordo com sua interação no mundo que habita. 

Desta forma, o desenvolvimento em Realidade Virtual de ECOS é concebido como um espaço de experimentação Avatar / Visitante / Ambiente, no qual as interações / diálogos entre o avatar e o visitante se refletem no ambiente como modificações ambientais, expressas nas suas características cromáticas, físicas, sonoras e na própria corporeidade do avatar.

Ao longo desse processo, o conceito geral foi evoluindo até chegar à metáfora da ideia de pertencimento, por meio da estética dos corpos e ambientes em reverberação com as ações das pessoas. As formas de relacionamento serão representadas por sua estética, podendo os avatares atingir maior corporeidade (ganhar corpo) ou desaparecer. Da mesma forma, o ambiente pode ganhar ou perder cor e brilho de acordo com as relações estabelecidas.

O projeto apresentou vários desafios para o seu desenvolvimento em Realidade Virtual. O primeiro foi criar uma biblioteca de ações e reações entre os movimentos do avatar e os movimentos do dançarino ou visitante casual. Por parte do usuário com capacete de Realidade Virtual e controles nas mãos, existe uma limitação na captura de uma expressão corporal completa, devendo inferir seus gestos a partir desses três parâmetros somados ao seu movimento na área de ação. O deslocamento é contemplado em princípio para estar dentro da área de influência do avatar. Por sua vez, uma programação adequada teve que ser gerada para capturar esses movimentos e gestos e gerar uma resposta dinâmica em nosso interlocutor virtual. Além disso, buscou-se que essa interação também influenciasse o ambiente, desde as formas, os materiais (shaders), o pós-processo que influencia diversos parâmetros que afetam o caráter do ambiente e como este comunica emoções aos nós. Neste primeiro desenvolvimento, é proposto um cenário inicial asséptico no qual certas dinâmicas de interação podem ser entendidas como um tutorial. A seguir, três diferentes cenários são propostos nos quais diferentes formas de interação são propostas, obtendo-se diferentes resultados. Este é sem dúvida um universo que se encontra atualmente em fase de “work in progress” e que nos incentiva a continuar a explorar e a enriquecer a sua experiência.



O grupo de pesquisa do CSIC, Universidade da República, (UDELAR, Uruguai) "Realidades Expandidas", é uma equipe de trabalho inter e multidisciplinar, composta por artistas digitais, designers, diretores de arte, programadores e designers de som do meio acadêmico e profissional. Seu principal objeto de estudo e produção é a utilização de tecnologias Realidade Virtual e suas linguagens associadas aplicadas ao território das artes.


O Grupo de Pesquisa Poéticas Tecnológicas: corpoaudiovisual (GP Poética) (Brasil, UFBA) é formado por artistas da dança, da performance e da artemídia. Coordenado por Ivani Santana, tem como missão os estudos que articulam dança, cognição e tecnologia. Tendo como foco o desenvolvimento de projetos de dança e performance mediados pelas tecnologias digitais, o GP Poética tem uma longa trajetória no experimentalismo na cultura digital, investigações artísticas e estéticas que têm propiciado configurações inéditas apontando outros caminhos para as artes do corpo.